Bom,
Quis fazer duas partes da "Perdas...", porque ficaria cansativo ler tudo de uma vez.
Na manhã seguinte, tive a certeza que entraria em cirurgia, mas eu havia me preparado desde a noite anterior, pois eu sabia que precisaria.
As 18 horas do dia 29 de julho de 2010, eu entrei no hospital para fazer a "Salpingectomia", que nomezinho complexo...retirar a trompa e o embrião.
E as 20 horas aproximadamente entrei para a tal cirurgia, com medo de ficar sozinha, lá estava o medo lá de novo....
Antes da cirurgia, eu me despedi do meu embrião, em voz alta. Fiz isto por mim, para que eu colocasse um final na estória e desse espaço para um novo começo.
Sem perceber, fiz o centro cirúrgico chorar, mas foi bom para mim, como disse.
Qual era minha situação? Muito ruim, mas ninguém me disse antes, só depois...
Estava com hemorragia interna, pois a trompa já havia começado a "estourar" e teriam que fazer a cirurgia logo, e assim foi feito.
Ao acordar, eu não pude falar, pois tive uma hipotermia grande ao sair da mesa. Tudo porque eu não queria ficar sozinha aff...
Só ouvi ao fundo uma enfermeira dizer:"Rápido, peguem...UTI"
Ai como naqueles filmes, que a pessoa parece ter visto a LUZ, eu ouvia a enfermeira, e conclui, PRONTO...MORRI...
Mas não eles precisavam do cobertor da UTI térmico para me esquentar....
E não morri de verdade, desta vez....
E tudo deu certo, BORA recomeçar....
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Perdas...
Olá....
Na última postagem contei sem muitos detalhes o ocorrido, mas achei muito importante deixar aqui os sentimentos gerados e vividos durante esta perda, entre tantas que já vivi.
Volto um pouco no tempo, quando estava na UTI com o Ian, quer dizer, ele estava na UTI, nós tínhamos reuniões semanais para trocar experiencias entre os pais e mesmo tirar dúvidas sobre nossos bbs.
E eis que me pegava em um medo imenso, mas não era de perder o Ian, mas de nunca mais poder viver a maternidade, deixa eu explicar:
Pois é para muitas ali, alguma coisa que havia ocorrido na gestação, trouxe seus bbs antes ao mundo. Não que isto não tivesse ocorrido comigo, mas era diferente, até então não sabíamos o que realmente teria levado o Ian a nascer antes.
Estas mãezinhas, tinham uma pressa gigante em ter seus filhos em casa, não eu, porque eu queria meu filho inteiro, sem ter que voltar ao hospital, depois que voltasse para casa, mas meu medo era ainda maior, EU TINHA MEDO DE NÃO PODE MAIS TER FILHOS.
Tinha medo de ter que passar por tudo de novo, por todas as dores de ter que esperar os 14 dias, de ter um resultado negativo, de não entender, de odiar as grávidas novamente, de me sentir menos mulher por conta disso....
Eram muitos medos...MAS, tive que passar novamente.
E voltando aos dia em que achei que estava mesmo com o bb na trompa, antes mesmo de ter um exame. Eu fiz uma oração com minha irmã, não me lembro ao certo o dia, mas lembro me de fechar meus olhos e ver uma imagem de um coração sangrando e uma rosa vermelha.
E nesta hora, eu disse muito profundamente, há algo errado e amanhã vamos resolver isto....
E no dia seguinte tudo que já contei, no final da tarde, descobrimos que não havia gestação tópica. E teríamos que fazer algo...
Cheguei em casa e a dor física era pequena perto de tudo, mas tive que ligar para cada uma das pessoas que haviam festejado comigo a gravidez e dizer que não havia mais...não foi difícil, acho que elas ficaram mais tristes que eu....
Porque eu estava pronta para recomeçar a todo instante, aqueles medos que sentia, nas reuniões na UTI estavam ali para serem enfrentados, e vividos.
Eu, apenas, pedia para ficar com alguém, não queria ficar sozinha, talvez não quisesse deixar minha mente entrar nos medos e tristezas e tendo alguém do meu lado seria mais fácil.
E foi assim, que tentei sobreviver a perda, e mais tarde eu entenderia que a marca da perda na Alma, é o fortalecimento e preparo para o futuro....
Na última postagem contei sem muitos detalhes o ocorrido, mas achei muito importante deixar aqui os sentimentos gerados e vividos durante esta perda, entre tantas que já vivi.
Volto um pouco no tempo, quando estava na UTI com o Ian, quer dizer, ele estava na UTI, nós tínhamos reuniões semanais para trocar experiencias entre os pais e mesmo tirar dúvidas sobre nossos bbs.
E eis que me pegava em um medo imenso, mas não era de perder o Ian, mas de nunca mais poder viver a maternidade, deixa eu explicar:
Pois é para muitas ali, alguma coisa que havia ocorrido na gestação, trouxe seus bbs antes ao mundo. Não que isto não tivesse ocorrido comigo, mas era diferente, até então não sabíamos o que realmente teria levado o Ian a nascer antes.
Estas mãezinhas, tinham uma pressa gigante em ter seus filhos em casa, não eu, porque eu queria meu filho inteiro, sem ter que voltar ao hospital, depois que voltasse para casa, mas meu medo era ainda maior, EU TINHA MEDO DE NÃO PODE MAIS TER FILHOS.
Tinha medo de ter que passar por tudo de novo, por todas as dores de ter que esperar os 14 dias, de ter um resultado negativo, de não entender, de odiar as grávidas novamente, de me sentir menos mulher por conta disso....
Eram muitos medos...MAS, tive que passar novamente.
E voltando aos dia em que achei que estava mesmo com o bb na trompa, antes mesmo de ter um exame. Eu fiz uma oração com minha irmã, não me lembro ao certo o dia, mas lembro me de fechar meus olhos e ver uma imagem de um coração sangrando e uma rosa vermelha.
E nesta hora, eu disse muito profundamente, há algo errado e amanhã vamos resolver isto....
E no dia seguinte tudo que já contei, no final da tarde, descobrimos que não havia gestação tópica. E teríamos que fazer algo...
Cheguei em casa e a dor física era pequena perto de tudo, mas tive que ligar para cada uma das pessoas que haviam festejado comigo a gravidez e dizer que não havia mais...não foi difícil, acho que elas ficaram mais tristes que eu....
Porque eu estava pronta para recomeçar a todo instante, aqueles medos que sentia, nas reuniões na UTI estavam ali para serem enfrentados, e vividos.
Eu, apenas, pedia para ficar com alguém, não queria ficar sozinha, talvez não quisesse deixar minha mente entrar nos medos e tristezas e tendo alguém do meu lado seria mais fácil.
E foi assim, que tentei sobreviver a perda, e mais tarde eu entenderia que a marca da perda na Alma, é o fortalecimento e preparo para o futuro....
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