sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Aprendendo a cuidar de um bebê

...naquela manhã, no fundo do meu coração , eu sabia que algo havia mudado, mas nem imagina o que era, então segui para o que vinha fazendo nos últimos 28 dias, levantar e ir ao hospital, tirar leite e ver meu menininho.

Foi então que depois de tirar o leite, subi na UTI e logo que caminhei pelo corredor, veio uma pessoa, que não me lembro quem é, e disse:

"Seu filho se mudou."

Fiquei desesperada, pois pensei o pior....

"Foi promovido a menino sem fios..."

Aff. Voltei a vida, tinha ido para o prematuro. Uma salinha pequena, só ele lá, estava lá para realizar um exame para verificar a quantidade de idas e vindas do leite no esófago, e eu entrava para vê-lo, eu ainda estava com infecção e usava máscara. Mas já podia senti-lo novamente.


Depois de 24 horas, ele mudou comigo para a pediatria.

Cheguei muito feliz. Sabe aquele momento em que você teve o bebê e ai vai para o quarto com ele, então foi este momento com um pouco de atraso, mas ele aconteceu.

Esperei durante aproximadamente 1 hora, até ele chegar, e quando chegou foi muito engraçado.

A enfermeira o trouxe, com todos seus pertences e falou:

"Mamãe, é seu"

E foi embora....

Pensei: "Moça, não vai não...eu não sei o que fazer com ele...ei, faz quase um mês que vocês cuidam dele, como sei que tem xixi? e cocô? e fome? e banho? e...." Bom, olhei para ele e disse:

" Agora somos, eu e tu, tu e eu, danou-se."

Não havia feito curso algum (inclusive, nos chamaram para fazer o curso e ele estava na UTI, e ligaram em casa, dizendo que era do Sinhá, você não imagina a cara do Claudio, achávamos que, bem, que já era....mas Graças a Deus era para ir ao curso, mas não pudemos, porque, ele já havia nascido....)

Ai, que foram elas...

Ele não sabia mamar, não sabia sugar, e tinha um refluxo que nem conto...

Foi ai que a realidade se colocou em minha frente, meu pacotinho, meu pedacinho e eu sabia nada sobre ele.

O primeiro cocô, quase morri com o cheiro, pois eram tantas as medicações que ele tomava que quase que tive um troço...mas me acostumei, tinha cheiro de rosas selvagens....

E o momento em que ele chorava, chorava, chorava, chorava e não sabíamos o que fazer, ai lembrei da dica da enfermeira da UTI.

"Tira a roupa dele, se ele chorar demais."

E tiramos, parou no mesmo momento....

Como?

Bebês de UTI não gostam de roupa, ficaram pelados o tempo todo.... (não gosta até hoje, até brinco com ele que ele é um índio da Amazônia)

E o inferno das noites, Meu Pai, as enfermeiras vinham para que eu passasse o leite pela sonda nele de 3 em 3 horas e nada dele mamar e sugar.

O ritual era: passar o leite (demorava uns 30 a 40 minutos para passar 30 ml de leite), ficar 1 hora com ele em pé para não voltar o leite e ele não engasgar ou aspirar, ai eu tinha 1 hora para ir ao banheiro, ou comer ou dormir um pouco, ou respirar e ai tudo começava de novo....foi difícil.

Já estava sucumbindo, quando perguntei ao pediatra quando eu iria embora, e ele me respondeu, até o momento em que você souber cuidar dele.

Me esforcei mais ainda, e em 4 dias estávamos livres, doce ilusão...ele ficaria internado em casa até mamar... aff....

Dia que tiramos a roupa e ele parou de chorar kkkk

Roupa de prematuro, tinha que dobrar

Roupa de sapinho, tínhamos que dobrar milhões de vezes

Dia 23 de fevereiro de 2007, meu Ian nasceu de novo, e fomos para casa.

Saída da maternidade (RN), tinha que dobrar

Sei que vocês devem ter pensado, até que enfim para casa, estava tudo bem....mas....não ainda, teríamos mais batalhas a vencer.





quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A estadia no útero de plástico

...E esta foi minha primeira “morte”.

O pequeno menino foi levado por enfermeiros e o pediatra no útero de plástico transparente. Aos olhos da madrinha Fer (a Fer ficou esperando o nascimento na porta do centro cirúrgico e saiu pela vizinhança pedindo roupinhas de bebê, porque eu não tinha se quer uma peça lavada, ficou também sem nenhuma unha inteira durante o processo).

Vi todo o percurso pela filmagem.

Foi acoplado a um respirador o CPAP (que ele arrancou em menos de 24 horas) e foi para o capacete, e sondas e acessos, enfim muitos fios.

E eu, ah que horror, voltei para o quarto, sem a barriga, sem o bebê e sem ninguém, não era permitido o pai ficar na época. CHOREI a noite toda...

No dia seguinte de manhã, eu fui até a UTI visitar o menininho de 40 cm e 1.670 kg. É só na manhã seguinte... quase 12 horas depois, pude ver meu menino.

Fui como quem não sabia o que veria...

O pequeno menino e sua fralda RN que tinha que dobrar.


Reparem no tamanho da minha mão 

Foram 28 dias de UTI, onde passei por momentos de gratidão, de desespero, de esperança de angústia....
No capacete

Toda quarta-feira, eu tinha reunião com a equipe da UTI e jamais tive pressa em tê-lo em meus braços, porque queria que ele viesse para mim, inteiro. 

Havia dias em que se chegava à UTI e um bebê tinha virado anjo, e assim você nunca sabia se o seu poderia também passar pela mesma situação, aff. era um terror diário.

Tirava leite no lactário de 3 em 3 horas para que ele pudesse mamar meu leite.

Tive mastite, infecção de garganta e urinária. Claudio teve 3 infecções também. Típicos pais de UTI. Eu não pude entrar na UTI para vê-lo por uma semana, por causa destas infecções.

Fizemos amizades com outros pais na mesma situação, cada um com seu drama pessoal.

Fiz Canguru, era muito bom, até que um dia a criaturinha parou de respirar em meus braços, quase morri de novo (segunda morte), chorei...........................muito e fiquei com medo de voltar a UTI.


Olhem o tamanho dele em relação a mim.

A criança teve uma infecção chegou a pesar 1,4 Kg. Mas Graças a Equipe da UTI, medicaram antes do pior acontecer. (era para ele ter tido alta, mas ficou mais 7 dias lá), (morri de novo) (foto)


Ao final de todos os dias, eu voltava para casa (ficava na porta da UTI o dia todo, mesmo tendo apenas 3 visitas por dia), e chorava no quarto dele, ao mesmo tempo que rezava por horas. O medo estava sempre comigo, mas não perdia a fé em Deus. Afinal, tinha nascido a Graça Divina.

E finalmente no dia 19 de fevereiro de 2007, fomos transferidos para a Pediatria, fazia uma semana que não podia tocá-lo, pois eu estava com infecção de garganta.

Aqui está a foto antes de sair da UTI. (apesar de parecer gordo, só tinha 2,1 kg)

E fomos para mais uma etapa....


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O nascimento e a separação....

...eram 18 horas quando comecei uma peregrinação para ir ao banheiro, para sair todo aquele soro na urina, pelo menos estava muito hidratada, e simultaneamente eu também fazia número 2, e sentia muitos gases, uma coisa muito chata.

A Fer já tinha ido embora e a Maira ficou comigo, porque o Claudio não tinha ainda aparecido para me ver, e foi quando deu 19:20, eu pedi que ele viesse, porque as 20 a visita acabaria, e ele não estaria comigo.

Ele chegou às 19:50, NEM PRECISAVA TER IDO....mas... as 20:30, chegou o Dr. João, e fui logo pedindo simeticona, porque já não aguentava mais aqueles gases insuportáveis e doloridos....

Foi então que ele me disse:

“Você aguenta mais um pouquinho, para eu dar alta para a outra paciente?”

“Sim, lógico.”

Alguns minutinhos depois, ele pediu que eu fosse com ele ao consultório.

“Você consegue andar até lá?”

“Sim, lógico.”

Bom, quando estava naquela posição, ele me disse:

“Não se mexa, não tem mais o que fazer?”

“Como assim?” Eu já pálida, provavelmente.

“Eu consigo ver a cabeça do bebê! Ele vai nascer.”

Aff. Não eram gases, eu trabalho de parto e eu nem senti dor....Estava em pânico, 30 semanas e agora, eu iria perder meu bebê. Ai que dor insuportável, mas no coração.

Pois é dilatei 10 cm sem dor. Provavelmente, porque a bolsa não havia estourado.

E fui conduzida por mil enfermeiras, para tomar um banho, não entendi, mas foi isto mesmo, e então me colocaram em uma maca e me levaram correndo ao centro cirúrgico, pois não sabiam se iria ser normal ou cesárea.

E ai eu não sabia se iria filmar, se não iria, tinha o cordão umbilical que iríamos colher, quanta decisão para tomar em segundos.

Foi então que ao chegar no centro cirúrgico, me deram analgesia e então um parto sem dor alguma aconteceu, em nenhum momento senti dor, só na hora que...bom já conto.

A enfermeira e o médico falaram para eu fazer força, quando sentisse uma contração forte, foi então que levantei a mão e perguntei.

“E eu estou sentindo contração?”

Sentia nada. Então a enfermeira me ajudou a saber a hora e me disse, respira e....

Nem fiz força o bebê nasceu as 21:19 de 21 janeiro de 2007, e o médico estourou a bolsa.

Aqui vem a dor, o pediatra o leva e mesmo me mostrando por dois segundos eu acho, me diz:

“Ele terá que ficar aqui com a gente, ele não sabe respirar sozinho...”

E mais uma vez meu mundo caiu... E perguntei, por quanto tempo?

A resposta: “Não sabemos ao certo, mas aproximadamente, dois meses.”


Morri..................

domingo, 20 de agosto de 2017

Quase nascendo

E voltei a Ribeirão Preto...como eram três horas da manhã do dia 20 de janeiro, o que uma grávida de quase 30 semanas devia ter feito?

Todo mundo deve ter respondido, ir dormir, não?

Só que não, como se diz hoje.

Cheguei em casa, e vi um lago amarelo em minha cozinha. Como assim um lago amarelo? A cachorra Lisbela Maria, “minha labrador”, estava passando uma temporada dentro de casa, porque estávamos em reforma, e ela havia perdido seu espaço. E ainda não sabíamos quando a reforma terminaria, uma vez que os pedreiros haviam nos deixado na mão. Bom a Lisbela, havia feito um xixi gigante na cozinha, para o tamanho dela, qualquer xixi é um lago.

E grávidas, como tem miolo mole e sinapses comprometidas, resolveu ir limpar a sujeira. Aí vocês vão me preguntar, o que o Claudio fez? Nada, ele não discutiria com uma grávida teimosa, embora ele tivesse tentado intervir.

Cozinha limpa, bora dormir.

As 8 da manhã, eis que sinto, uma contração e desta vez sangramento forte. A pessoa já sabia que a placenta estava Grau II (bem amadurecida – o que significa que já não era tão eficiente na alimentação do bebê e ainda que o bebê mesmo prematuro estava quase pronto a nascer, mas não de 30 semanas).

Ligo para o obstetra Dr. João (mais um anjo em minha vida), e pede que eu vá para o hospital, e assim faço.

Chegando ao hospital, não paro de chorar, o MEDO invade minha alma, será que cheguei até aqui, para perder tudo...em pânico, sou examinada e diagnóstico com dilatação de 3 cm, em começo de trabalho de parto (TP), mas em condições de bloqueio.

E assim, me internaram, ninguém soube desta internação, só eu e Claudio. E a Maira e Fernanda (madrinhas da Graça Divina).

Fiquei de molho sem pode levantar para fazer xixi, que legal fazer xixi naquela tal de comadre. Não queiram isto para a vida de vocês kkkkk.

Foi então que o Claudio saiu correndo para casa, para pintar o quarto da criança e tentar deixar mais pronto possível, porém tínhamos nada pronto, apenas algumas roupinhas.

No domingo dia 21 de janeiro de 2007, Fernanda e Maira passaram a tarde comigo, por DEUS.
A Fer percebeu que eu tossia a todo momento, e perguntou a razão de eu tossir, se eu estava doente. Minha resposta era sempre: “Não, estou bem.”

E ela insistiu e pediu que eu mostrasse o peito a ela, e foi então que pediu a Maira que fechasse minha medicação e saiu voando pelo corredor do hospital, pedindo ajuda para enfermeiras, porque eu estava com uma alergia bem grande da medicação e isto era perigoso, uma vez que minhas tosses, poderia ser o início de um fechando de glote. E era....


Foi aquela correria e passaram dois soros pinça aberta em mim, para limpar meu corpo, só que ai todo meu quadro que era de equilíbrio e controle do bebê mudou.....

E 15 de agosto de 2016

.....Bem, agosto de 2016. Em 14 de agosto eu havia tido aquele momento dejà vu, com o post do dias dos pais, né.... Mas, voltando mais u...