segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Despedida....e acalento.

Bom,

Quis fazer duas partes da "Perdas...", porque ficaria cansativo ler tudo de uma vez.

Na manhã seguinte, tive a certeza que entraria em cirurgia, mas eu havia me preparado desde a noite anterior, pois eu sabia que precisaria.

As 18 horas do dia 29 de julho de 2010, eu entrei no hospital para fazer a "Salpingectomia", que nomezinho complexo...retirar a trompa e o embrião.

E as 20 horas aproximadamente entrei para a tal cirurgia, com medo de ficar sozinha, lá estava o medo lá de novo....

Antes da cirurgia, eu me despedi do meu embrião, em voz alta. Fiz isto por mim, para que eu colocasse um final na estória e desse espaço para um novo começo.

Sem perceber, fiz o centro cirúrgico chorar, mas foi bom para mim, como disse.

Qual era minha situação? Muito ruim, mas ninguém me disse antes, só depois...

Estava com hemorragia interna, pois a trompa já havia começado a "estourar" e teriam que fazer a cirurgia logo, e assim foi feito.

Ao acordar, eu não pude falar, pois tive uma hipotermia grande ao sair da mesa. Tudo porque eu  não queria ficar sozinha aff...

Só ouvi ao fundo uma enfermeira dizer:"Rápido, peguem...UTI"

Ai como naqueles filmes, que a pessoa parece ter visto a LUZ, eu ouvia a enfermeira, e conclui, PRONTO...MORRI...

Mas não eles precisavam do cobertor da UTI térmico para me esquentar....

E não morri de verdade, desta vez....

E tudo deu certo, BORA recomeçar....

Perdas...

Olá....

Na última postagem contei sem muitos detalhes o ocorrido, mas achei muito importante deixar aqui os sentimentos gerados e vividos durante esta perda, entre tantas que já vivi.

Volto um pouco no tempo, quando estava na UTI com o Ian, quer dizer, ele estava na UTI, nós tínhamos reuniões semanais para trocar experiencias entre os pais e mesmo tirar dúvidas sobre nossos bbs.

E eis que me pegava em um medo imenso, mas não era de perder o Ian, mas de nunca mais poder viver a maternidade, deixa eu explicar:

Pois é para muitas ali, alguma coisa que havia ocorrido na gestação, trouxe seus bbs antes ao mundo. Não que isto não tivesse ocorrido comigo, mas era diferente, até então não sabíamos o que realmente teria levado o Ian a nascer antes.

Estas mãezinhas, tinham uma pressa gigante em ter seus filhos em casa, não eu, porque eu queria meu filho inteiro, sem ter que voltar ao hospital, depois que voltasse para casa, mas meu medo era ainda maior, EU TINHA MEDO DE NÃO PODE MAIS TER FILHOS.

Tinha medo de ter que passar por tudo de novo, por todas as dores de ter que esperar os 14 dias, de ter um resultado negativo, de não entender, de odiar as grávidas novamente, de me sentir menos mulher por conta disso....

Eram muitos medos...MAS, tive que passar novamente.

E voltando aos dia em que achei que estava mesmo com o bb na trompa, antes mesmo de ter um exame. Eu fiz uma oração com minha irmã, não me lembro ao certo o dia, mas lembro me de fechar meus olhos e ver uma imagem de um coração sangrando e uma rosa vermelha.

E nesta hora, eu disse muito profundamente, há algo errado e amanhã vamos resolver isto....

E no dia seguinte tudo que já contei, no final da tarde, descobrimos que não havia gestação tópica. E teríamos que fazer algo...

Cheguei em casa e a dor física era pequena perto de tudo, mas tive que ligar para cada uma das pessoas que haviam festejado comigo a gravidez e dizer que não havia mais...não foi difícil, acho que elas ficaram mais tristes que eu....

Porque eu estava pronta para recomeçar a todo instante, aqueles medos que sentia, nas reuniões na UTI estavam ali para serem enfrentados, e vividos.

Eu, apenas, pedia para ficar com alguém, não queria ficar sozinha, talvez não quisesse deixar minha mente entrar nos medos e tristezas e tendo alguém do meu lado seria mais fácil.

E foi assim, que tentei sobreviver a perda, e mais tarde eu entenderia que a marca da perda na Alma, é o fortalecimento e preparo para o futuro....


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Destino

Bom,

Antes de falar sobre as 14 dias, tenho que contar como foi a espera.

7 dias após a transferência dos embriões, comecei a sangrar e muito, bom toda esperança tinha acabado, e olha que nem tinha chegado aos 14 dias...

Liguei para os médicos e eles me deram uma dose maior de progesterona, pois poderia acontecer aquele problema, e comecei a fazer um repouso e tomar a progesto que me dava um sono fora do normal.

Fomos assim por mais uns dias, mas o sangramento não terminava. Já havia chorado baldes, pois com certeza tudo estaria errado, e decidi tocar minha vida adiante.

Neste tempo todo tive ao meu lado minha irmã maravilhosa (as outras também são) que sofreu cada segundo comigo.

Decidi ir cortar o cabelo, quem sabe minha vida mudava naquele ponto.

Mas um telefonema mudou tudo...Era da Clínica e o meu Beta tinha dado positivo, deu aproximadamente 200. Era alto para o tempo, então cogitou-se que haviam 2 bbs.

Mais dois dias e nada do sangramento parar e eu chorava mais baldes, não sei como não desidratei...

E este dia tive a sensação que eu estava morrendo, morrendo mesmo, de verdade. E disse a minha irmã.

"Estou grávida, mas tem alguma coisa errada, este bb não está no útero..."

Ela disse:

"Para de besteira, você está nervosa."

Bom, liguei para um dos médicos, e ele disse que pode ser normal, pois este procedimento não é natural e o corpo pode tentar expulsar o embrião e só hormônios e repouso podem ajudar.

Mas eu conheço muito bem meu corpo e sabia que nada estava certo.

E foi então que meu médico anjo, me disse, se está reclamando, vamos ouvir, porque você só reclama, quando realmente há algo fora do lugar.

Parenteses, Aqui está a importância, por não se reclamar de qualquer coisa, pois quando for grave, vão te escutar.

E foi então que tudo começou ou terminou, nem sei.

Fizemos o ultrasson e nada no útero, e a trompa esquerda, extremamente grande e inflamada.

Fiz novo Beta, pois poderia ser que o embrião desistisse e então morreria, que nada, um Beta gigante....

O BB está desenvolvendo-se na trompa, qual a chance disso, 1%...porque nunca ganho a mega sena????

E no dia seguinte, a confirmação estava ele lá na trompa, e para não escutar seu coração o médico tirou o aparelho....

Fui para a emergência e cirurgia, feita por outro médico anjo, na verdade uma anja. E Graças a Deus sobrevivi.

Por um lado, estava feliz, havia conseguido engravidar pela FIV, e meu embrião era tão forte que sobreviveu a condição adversa, isto fazia com que eu pudesse repetir o procedimento e conseguir.

Mas a dor de perder não foi fácil, porque se manteve vivo até o final, para mim, uma coisa horrível.

Mas tudo devo ao meu Deus que me fortalece todos os dias...

Vamos adiante.....

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

E começo tudo outra vez...desta vez com mais obstáculos....

No ano de 2008, começamos novamente os exames para verificar as chances de conseguirmos um novo filho. (mesma época que estávamos atrás do oncologista)

Mas...todos novamente indicando a SOMP, mas como todos sempre disseram e eu desminto, só para variar, o segundo sempre é mais fácil. MENTIRA.

Foi então que comecei pelos métodos tradicionais, indutores subcutâneos, controles de ovulação e nada, após 3 tentativas, nenhuma deu certo. Então juntamos dinheiro e partimos para a Fertilização In Vitro (ICSI) - Vejam aqui mais detalhes: http://www.clinicamatrix.com.br/tratamentos.html .

E começamos, eu tinha absoluta certeza que eu iria conseguir, pois meu problema, era ovular, certo?

Sim, certo, aos olhos dos homens. Então vamos fazer a Raissa ovular:

- Não me lembro ao certo o número de injeções, mas foram muitas...

- E infinitos US, e infinitas injeções e ai 28 óvulos, alguns dirão nossa que ótimo, outros dirão, que perigo, pois é que PERIGO....

- Sim, tive SHO:

"SHO é caraterizada pela resposta exagerada dos ovários após a estimulação com hormônios (principalmente as gonadotrofinas injetáveis), que acarreta a liberação de substâncias que causam um aumento generalizados da permeabilidade vascular, levando ao acúmulo de líquido no abdome (ascite), inchaço, derrame pleural (líquido entre os pulmões), hidrotórax (líquido no tórax), trombose, insuficiência renal e, em casos graves, até morte. Estima-se que a mortalidade seja de 1 a cada 100.000 tratamentos. Pode parecer bastante raro, mas, se considerarmos que são realizados cerca de 1.500.000 tratamentos por ano, aproximadamente 50 mulheres morrem anualmente por complicações da SHO." (http://www.vidabemvinda.com.br/blog/sindrome-de-hiperestimulacao-ovariana-o-que-e-e-como-evitar/)

E Graças aos anjos que me acompanharam, souberam como lidar e já me medicaram prontamente, e estou aqui para vos contar. Fiquei de repouso e com possibilidades de não ir buscar meus BBs. Mas fui....


Fiz 28 óvulos, poucos estavam excelentes, eu cedi para doação os extras, mas confesso, que não sei se deu para doar, não me lembro...

Mas 4 foram fecundados, e dois evoluíram lindamente. Imaginem a dificuldade que é engravidar, porque de 28, 4 estava excelentes com certeza....


Assim, no dia marcado e já curada da SHO, fui buscar meu filhinhos, e foram lidamente implantados no meu útero, eu tinha as fotos deles sendo implantados, mas por tudo que passei depois, joguei no lixo...


Foram 14 dias de suspense, vocês devem imaginar, que eu já nesta etapa, teria me acostumado com estes 14 dias, mas não, o sofrimento era muito grande.....


Aguardem....que vocês saberão.....



terça-feira, 3 de outubro de 2017

Em casa e os desafios de um bebê normal. Graças a Deus!

Olá,

Você pensaram que eu havia abandonado, mas não, estou aqui para terminar a estória do meu meninão.

Sim, ele era um BB "normal", ou seja, como se tivesse nascido a termo, aos 6 meses de idade.

Com todo o refluxo que persiste até hoje (10 anos), mas de forma bem moderada, ele teve inúmeras infecções de ouvido e garganta, e sim, demos muito anti-bióticos, não tínhamos saída, as febres eram absurdas e precisávamos.

Mas foi de 3 para 4 anos que quase morri mais uma vez, nesta etapa eu já havia voltado a luta para ter outro filho, sim, havia voltado a sofrer, mas esta estória falarei quando chegar a hora.

Um belo dia, vou pegar ele na escola e eis que ele estava com uma bola abaixo do ouvido, e então pensei, aff. Lá vamos nós para o médico. E foi ao que o pediatra sugeriu que eu buscasse um oncologista (pois já tínhamos feito todos os exames normais para detecção de infecções que normalmente produzem esta bola), e todos deram normais, apenas o hemograma estava "estranho".

E fomos a um oncologista (particular), que nos alarmou, sim havia uma imensa chance de ser algum problema oncológico, mas para tal precisaríamos fazer exames, e lá fomos nós.

E os exames deram meio que no limite, ou seja, sem conclusões, morria a cada resultado que saia, sem saber se era preciso morrer, mas ser mãe é isso mesmo.

E assim, resolvi procurar um outro onco, para ter duas opiniões, afinal, não estava lidando com uma gripe ou algo pequeno (apesar que hoje gripe, pode ser algo grande). E, então levamos, ele a este outro profissional, que nos deixou mais tranquilos, mas teríamos que continuar os exames.

Sempre deixamos claro para este profissional que já tínhamos ido a outro, pois precisávamos de uma outra opinião. Ele foi extremante dócil e esclarecedor sempre. Porém o outro (o primeiro) ficou muito ofendido e nos disse que deveríamos escolher o profissional e confiar e ponto. E só um detalhe, ele já queria iniciar tratamento oncológicos....

Fiquei com o segundo....(risos). Todos os exames deram normais e por exclusão, descobrimos a tal bola, ela nunca cresceu, apenas ficou ali de enfeite até os 8 anos, as vezes, ela ainda aparece. E o Ian já diz, mamãe, vou ficar doente... Era, é, apenas um gânglio inflamatório, causado por repetição de infecções no trato respiratório, por conta dos refluxos...Que alívio!

Minha última situação de quase morte por causa da saúde do Ian foi em Abril de 2016, ele teve uma virose, ou algo emocional, causado por mim, é por mim...Eu entrei em pânico e ele adoeceu...

Mães, um ser estranho, mas sempre preocupado com suas crias.

Hoje tenho um menino lindo, preguiçoso, inteligente, e extremamente dócil e gentil. E vamos continuar morrendo todos os dias, pois é assim ser mãe.

Aguardem, pois contarei a estória do meu segundo milagre.......

Homenagem aos dia das mães 2016 - Demolays e Escudeiros.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Em casa...sobrevivendo...

...Sim, ele começou a sugar, mas o peito era impossível, ele chegava a perder o fôlego, pois não tinha força suficiente. Com a perda de peso, chegou a voltar no 2 kg, ainda bem, que não reduziu mais, pois se ficasse abaixo de 2, voltaria para o hospital. Que medo!

Ficamos, assim, amigos da lata de leite, e ele começou a mamar muito, a ter refluxos de filme de terror.

A rotina era: 40 a 50 minutos para mamar 20 a 30 ml, e mais 1 hora no colo em pé e então poderia dormir 1 hora, e tudo recomeçaria.

Éramos: eu, Ian e Deus, ainda bem. Claudio não ficava em casa, porque estava em São Paulo.

As noites eram longas, os dias eram noites e eu já não sabia mais quem era eu. Mas o que me mantinha em pé, era que meu sonho estava ali, com 45 cm e 2 kg, e tínhamos que fazê-lo crescer.

Em uma noite, ele mamou e em seguida começou a chorar, eram duas da manhã, e não parava de chorar, eu já havia feito de tudo, e nada, e não tinha para quem recorrer. 4 da manhã e nada de parar, já havia tirado a roupa, andado pela casas toda, e nada...

Liguei para o Claudio em prantos, sei que não poderia fazer nada, mas estava em desespero, então ele me deu uma ideia sem sanidade e eu a fiz, mas...deu certo...

Ele tinha um balanço, herança do primo João Victor, e ele me disse coloca no balanço que dorme, foi então que coloquei. Como você coloca um ser com um mega refluxo em um balanço, após mamar? Sem sanidade. E ai o que aconteceu?

Isto mesmo a criança vomitou a uns 2 metros de distância (o normal era 1 metro, geralmente), e foi então que ele sorriu. E parou de chorar.

Mas ai, tínhamos um chão para limpar, eu para limpar e um bebê para limpar. E deu certo.

Após 4 meses com ele, eu já não tinha mais forças e já demonstrava sinais de depressão, mas jamais desisti. Foi então que com ajuda de amigos que vinham me visitar, meu marido resolveu contratar um babá para que eu pudesse ao menos dormir.

E ai a vida começou a ter sentido, pois eu teria que voltar a trabalhar e só havia ficado 3 meses com ele, mas como diz uma amiga, nascemos, ou rica, ou linda ou inteligente, e ai a escolha não foi ser rica....

Aqui algumas fotinhos dele no inicio de toda a luta em casa e até seus 6 meses. Idade que foi considerado um bebê normal, e foi quando pude levá-lo para passear, o dia foi 22 de julho de 2007, fomos ao shopping.

O balanço, mas aqui ele já estava melhor e maior
O banho da noite fatídica (foi fácil não tirar a foto, mas precisava registrar)
Quase um bebê "normal" (sim eu o arrumava, para ficar em casa)
Eu tinha 6 meses, era "normal"
Dia que sai pela primeira vez


E ai começamos mais desafios...em casa.




domingo, 27 de agosto de 2017

Em casa...e a sucção.

Antes de começar esta nova fase, esqueci de comentar sobre como a sonda foi retirada.

Eu não sabia mais o que fazer, porque ele não sugava e não era permitido mamadeiras no hospital na época, foi então que liguei para o pediatra.

"Dr. o que vamos fazer com a sonda?"

"Ele precisa aprender a sugar e então tiramos, caso não sugue, vamos ver o que fazer........."

Neste momento, me virei para vê-lo....e a sonda estava inteira na mão dele....detalhe, ele estava de luva de bebê (aquelas que não tem dedos).

"Dr., acho que não precisamos mais pensar o que fazer, ele mesmo tomou a decisão e tirou."

Então começamos luta para ele sugar....em vão....

Agora sim, para casa.

Chegamos perto do anoitecer e iniciamos a luta pela sucção, e nada....

A noite toda lutamos, deve ter mamado uns 20 ml no total.

Na manhã seguinte as 7 horas, chegaram os equipamentos para controle de peso e outros que não lembro.

E foi feita a medição do peso e ele havia perdido 50 gramas aff...Que pavor de voltar para o hospital!

E foi assim por três dias...até que ele apresentou sangue na urina e um tarja verde no cocô, não tinha ideia do que era. E perguntei ao enfermeiro, que anotou e pediu para eu ligar no pediatra.

O pediatra muito tranquilo (Graças a Deus), porque de doida, já basta eu.....disse não se preocupe, vai melhorar.

E perguntei também quando ele iria mamar, e ele me respondeu algo que utilizo até hoje...

"Quando ele estiver faminto, ele vai mamar e hoje ele estará...e vai mamar, pois criança pequena, se não estiver doente, vai ter fome da maneira certa..."

E assim aconteceu, foram 20 ml de três em três horas....esfomeado....mas ele esquecia do refluxo e nós também....

Vocês devem estar se perguntando, o que aconteceu no cocô e xixi?  ANEMIA braba....

Aguardem a parte 2 em casa.....





sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Aprendendo a cuidar de um bebê

...naquela manhã, no fundo do meu coração , eu sabia que algo havia mudado, mas nem imagina o que era, então segui para o que vinha fazendo nos últimos 28 dias, levantar e ir ao hospital, tirar leite e ver meu menininho.

Foi então que depois de tirar o leite, subi na UTI e logo que caminhei pelo corredor, veio uma pessoa, que não me lembro quem é, e disse:

"Seu filho se mudou."

Fiquei desesperada, pois pensei o pior....

"Foi promovido a menino sem fios..."

Aff. Voltei a vida, tinha ido para o prematuro. Uma salinha pequena, só ele lá, estava lá para realizar um exame para verificar a quantidade de idas e vindas do leite no esófago, e eu entrava para vê-lo, eu ainda estava com infecção e usava máscara. Mas já podia senti-lo novamente.


Depois de 24 horas, ele mudou comigo para a pediatria.

Cheguei muito feliz. Sabe aquele momento em que você teve o bebê e ai vai para o quarto com ele, então foi este momento com um pouco de atraso, mas ele aconteceu.

Esperei durante aproximadamente 1 hora, até ele chegar, e quando chegou foi muito engraçado.

A enfermeira o trouxe, com todos seus pertences e falou:

"Mamãe, é seu"

E foi embora....

Pensei: "Moça, não vai não...eu não sei o que fazer com ele...ei, faz quase um mês que vocês cuidam dele, como sei que tem xixi? e cocô? e fome? e banho? e...." Bom, olhei para ele e disse:

" Agora somos, eu e tu, tu e eu, danou-se."

Não havia feito curso algum (inclusive, nos chamaram para fazer o curso e ele estava na UTI, e ligaram em casa, dizendo que era do Sinhá, você não imagina a cara do Claudio, achávamos que, bem, que já era....mas Graças a Deus era para ir ao curso, mas não pudemos, porque, ele já havia nascido....)

Ai, que foram elas...

Ele não sabia mamar, não sabia sugar, e tinha um refluxo que nem conto...

Foi ai que a realidade se colocou em minha frente, meu pacotinho, meu pedacinho e eu sabia nada sobre ele.

O primeiro cocô, quase morri com o cheiro, pois eram tantas as medicações que ele tomava que quase que tive um troço...mas me acostumei, tinha cheiro de rosas selvagens....

E o momento em que ele chorava, chorava, chorava, chorava e não sabíamos o que fazer, ai lembrei da dica da enfermeira da UTI.

"Tira a roupa dele, se ele chorar demais."

E tiramos, parou no mesmo momento....

Como?

Bebês de UTI não gostam de roupa, ficaram pelados o tempo todo.... (não gosta até hoje, até brinco com ele que ele é um índio da Amazônia)

E o inferno das noites, Meu Pai, as enfermeiras vinham para que eu passasse o leite pela sonda nele de 3 em 3 horas e nada dele mamar e sugar.

O ritual era: passar o leite (demorava uns 30 a 40 minutos para passar 30 ml de leite), ficar 1 hora com ele em pé para não voltar o leite e ele não engasgar ou aspirar, ai eu tinha 1 hora para ir ao banheiro, ou comer ou dormir um pouco, ou respirar e ai tudo começava de novo....foi difícil.

Já estava sucumbindo, quando perguntei ao pediatra quando eu iria embora, e ele me respondeu, até o momento em que você souber cuidar dele.

Me esforcei mais ainda, e em 4 dias estávamos livres, doce ilusão...ele ficaria internado em casa até mamar... aff....

Dia que tiramos a roupa e ele parou de chorar kkkk

Roupa de prematuro, tinha que dobrar

Roupa de sapinho, tínhamos que dobrar milhões de vezes

Dia 23 de fevereiro de 2007, meu Ian nasceu de novo, e fomos para casa.

Saída da maternidade (RN), tinha que dobrar

Sei que vocês devem ter pensado, até que enfim para casa, estava tudo bem....mas....não ainda, teríamos mais batalhas a vencer.





quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A estadia no útero de plástico

...E esta foi minha primeira “morte”.

O pequeno menino foi levado por enfermeiros e o pediatra no útero de plástico transparente. Aos olhos da madrinha Fer (a Fer ficou esperando o nascimento na porta do centro cirúrgico e saiu pela vizinhança pedindo roupinhas de bebê, porque eu não tinha se quer uma peça lavada, ficou também sem nenhuma unha inteira durante o processo).

Vi todo o percurso pela filmagem.

Foi acoplado a um respirador o CPAP (que ele arrancou em menos de 24 horas) e foi para o capacete, e sondas e acessos, enfim muitos fios.

E eu, ah que horror, voltei para o quarto, sem a barriga, sem o bebê e sem ninguém, não era permitido o pai ficar na época. CHOREI a noite toda...

No dia seguinte de manhã, eu fui até a UTI visitar o menininho de 40 cm e 1.670 kg. É só na manhã seguinte... quase 12 horas depois, pude ver meu menino.

Fui como quem não sabia o que veria...

O pequeno menino e sua fralda RN que tinha que dobrar.


Reparem no tamanho da minha mão 

Foram 28 dias de UTI, onde passei por momentos de gratidão, de desespero, de esperança de angústia....
No capacete

Toda quarta-feira, eu tinha reunião com a equipe da UTI e jamais tive pressa em tê-lo em meus braços, porque queria que ele viesse para mim, inteiro. 

Havia dias em que se chegava à UTI e um bebê tinha virado anjo, e assim você nunca sabia se o seu poderia também passar pela mesma situação, aff. era um terror diário.

Tirava leite no lactário de 3 em 3 horas para que ele pudesse mamar meu leite.

Tive mastite, infecção de garganta e urinária. Claudio teve 3 infecções também. Típicos pais de UTI. Eu não pude entrar na UTI para vê-lo por uma semana, por causa destas infecções.

Fizemos amizades com outros pais na mesma situação, cada um com seu drama pessoal.

Fiz Canguru, era muito bom, até que um dia a criaturinha parou de respirar em meus braços, quase morri de novo (segunda morte), chorei...........................muito e fiquei com medo de voltar a UTI.


Olhem o tamanho dele em relação a mim.

A criança teve uma infecção chegou a pesar 1,4 Kg. Mas Graças a Equipe da UTI, medicaram antes do pior acontecer. (era para ele ter tido alta, mas ficou mais 7 dias lá), (morri de novo) (foto)


Ao final de todos os dias, eu voltava para casa (ficava na porta da UTI o dia todo, mesmo tendo apenas 3 visitas por dia), e chorava no quarto dele, ao mesmo tempo que rezava por horas. O medo estava sempre comigo, mas não perdia a fé em Deus. Afinal, tinha nascido a Graça Divina.

E finalmente no dia 19 de fevereiro de 2007, fomos transferidos para a Pediatria, fazia uma semana que não podia tocá-lo, pois eu estava com infecção de garganta.

Aqui está a foto antes de sair da UTI. (apesar de parecer gordo, só tinha 2,1 kg)

E fomos para mais uma etapa....


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O nascimento e a separação....

...eram 18 horas quando comecei uma peregrinação para ir ao banheiro, para sair todo aquele soro na urina, pelo menos estava muito hidratada, e simultaneamente eu também fazia número 2, e sentia muitos gases, uma coisa muito chata.

A Fer já tinha ido embora e a Maira ficou comigo, porque o Claudio não tinha ainda aparecido para me ver, e foi quando deu 19:20, eu pedi que ele viesse, porque as 20 a visita acabaria, e ele não estaria comigo.

Ele chegou às 19:50, NEM PRECISAVA TER IDO....mas... as 20:30, chegou o Dr. João, e fui logo pedindo simeticona, porque já não aguentava mais aqueles gases insuportáveis e doloridos....

Foi então que ele me disse:

“Você aguenta mais um pouquinho, para eu dar alta para a outra paciente?”

“Sim, lógico.”

Alguns minutinhos depois, ele pediu que eu fosse com ele ao consultório.

“Você consegue andar até lá?”

“Sim, lógico.”

Bom, quando estava naquela posição, ele me disse:

“Não se mexa, não tem mais o que fazer?”

“Como assim?” Eu já pálida, provavelmente.

“Eu consigo ver a cabeça do bebê! Ele vai nascer.”

Aff. Não eram gases, eu trabalho de parto e eu nem senti dor....Estava em pânico, 30 semanas e agora, eu iria perder meu bebê. Ai que dor insuportável, mas no coração.

Pois é dilatei 10 cm sem dor. Provavelmente, porque a bolsa não havia estourado.

E fui conduzida por mil enfermeiras, para tomar um banho, não entendi, mas foi isto mesmo, e então me colocaram em uma maca e me levaram correndo ao centro cirúrgico, pois não sabiam se iria ser normal ou cesárea.

E ai eu não sabia se iria filmar, se não iria, tinha o cordão umbilical que iríamos colher, quanta decisão para tomar em segundos.

Foi então que ao chegar no centro cirúrgico, me deram analgesia e então um parto sem dor alguma aconteceu, em nenhum momento senti dor, só na hora que...bom já conto.

A enfermeira e o médico falaram para eu fazer força, quando sentisse uma contração forte, foi então que levantei a mão e perguntei.

“E eu estou sentindo contração?”

Sentia nada. Então a enfermeira me ajudou a saber a hora e me disse, respira e....

Nem fiz força o bebê nasceu as 21:19 de 21 janeiro de 2007, e o médico estourou a bolsa.

Aqui vem a dor, o pediatra o leva e mesmo me mostrando por dois segundos eu acho, me diz:

“Ele terá que ficar aqui com a gente, ele não sabe respirar sozinho...”

E mais uma vez meu mundo caiu... E perguntei, por quanto tempo?

A resposta: “Não sabemos ao certo, mas aproximadamente, dois meses.”


Morri..................

domingo, 20 de agosto de 2017

Quase nascendo

E voltei a Ribeirão Preto...como eram três horas da manhã do dia 20 de janeiro, o que uma grávida de quase 30 semanas devia ter feito?

Todo mundo deve ter respondido, ir dormir, não?

Só que não, como se diz hoje.

Cheguei em casa, e vi um lago amarelo em minha cozinha. Como assim um lago amarelo? A cachorra Lisbela Maria, “minha labrador”, estava passando uma temporada dentro de casa, porque estávamos em reforma, e ela havia perdido seu espaço. E ainda não sabíamos quando a reforma terminaria, uma vez que os pedreiros haviam nos deixado na mão. Bom a Lisbela, havia feito um xixi gigante na cozinha, para o tamanho dela, qualquer xixi é um lago.

E grávidas, como tem miolo mole e sinapses comprometidas, resolveu ir limpar a sujeira. Aí vocês vão me preguntar, o que o Claudio fez? Nada, ele não discutiria com uma grávida teimosa, embora ele tivesse tentado intervir.

Cozinha limpa, bora dormir.

As 8 da manhã, eis que sinto, uma contração e desta vez sangramento forte. A pessoa já sabia que a placenta estava Grau II (bem amadurecida – o que significa que já não era tão eficiente na alimentação do bebê e ainda que o bebê mesmo prematuro estava quase pronto a nascer, mas não de 30 semanas).

Ligo para o obstetra Dr. João (mais um anjo em minha vida), e pede que eu vá para o hospital, e assim faço.

Chegando ao hospital, não paro de chorar, o MEDO invade minha alma, será que cheguei até aqui, para perder tudo...em pânico, sou examinada e diagnóstico com dilatação de 3 cm, em começo de trabalho de parto (TP), mas em condições de bloqueio.

E assim, me internaram, ninguém soube desta internação, só eu e Claudio. E a Maira e Fernanda (madrinhas da Graça Divina).

Fiquei de molho sem pode levantar para fazer xixi, que legal fazer xixi naquela tal de comadre. Não queiram isto para a vida de vocês kkkkk.

Foi então que o Claudio saiu correndo para casa, para pintar o quarto da criança e tentar deixar mais pronto possível, porém tínhamos nada pronto, apenas algumas roupinhas.

No domingo dia 21 de janeiro de 2007, Fernanda e Maira passaram a tarde comigo, por DEUS.
A Fer percebeu que eu tossia a todo momento, e perguntou a razão de eu tossir, se eu estava doente. Minha resposta era sempre: “Não, estou bem.”

E ela insistiu e pediu que eu mostrasse o peito a ela, e foi então que pediu a Maira que fechasse minha medicação e saiu voando pelo corredor do hospital, pedindo ajuda para enfermeiras, porque eu estava com uma alergia bem grande da medicação e isto era perigoso, uma vez que minhas tosses, poderia ser o início de um fechando de glote. E era....


Foi aquela correria e passaram dois soros pinça aberta em mim, para limpar meu corpo, só que ai todo meu quadro que era de equilíbrio e controle do bebê mudou.....

sábado, 19 de agosto de 2017

E o início do nascimento da Graça Divina...




Olá,

Como tenho recebido muitos pedidos de aumentar a frequência de posts, aqui está mais um.

Como disse a gravidez estava tranquila até 28 semenas aproximadamente, foi então que em janeiro de 2007, no dia 10 para ser exata, tenho um sangramento e corro para o hospital, não sentia o Ian (Graça de Divina).



Aqui um pouco deste bebê tão desejado dentro da barriga.

                                 Primeira imagem da Graça Divina

                                            Segunda imagem da Graça Divina (notem o coração que o fixa ao meu útero, impressionante, não?)

Tamanho de chulé

Primeiro rostinho visto no US


Aqui uma foto da barriga com quase 28 semanas, praticamente a última foto, antes dele nascer.
                                                    By Renata Miranda

Um parênteses – Ian foi o nome que nós dois concordamos para nosso Bebê menino, e tem uma estória interessante.

Estava eu escrevendo minha dissertação de mestrado e havia um cara com sobrenome Ian, e então olhei e disse, nossa achei o nome do nosso filho. E disse: “Ian”, e tal foi minha surpresa, na hora em que o Claudio concordou, ele concordava com nada.

Ian: Significa "Deus é gracioso", "presente de Deus", "graça de Deus" ou mesmo "Deus perdoa". (fonte: https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/ian/).

Está aí o título ser chamado sempre de Graça Divina, porque este é o significado de seu nome. E foi isso mesmo até ele completar seus 5 anos (mais para frente explico o porquê) e continua sendo minha Graça Divina.

Fui para o Hospital e estava com 1 cm de dilatação. Nem sabia o que significava, ouvi dizer sobre parto normal, mas saber exatamente o que é e o que não é....são outros 500.

Entrei em um repouso absoluto de 9 dias, até que as contrações parassem e eu pudesse talvez voltar as minhas atividades normais.

Foram os dias mais doloridos da minha vida (porque eu ainda não sabia o que eu iria passar ainda), chorei muito, porque talvez aquela poderia ser minha última chance. Muito difícil.


E no dia 19 de janeiro de 2007, o médico me liberou, tudo havia voltado ao normal. E resolvi ir até Bebedouro colar o grau dos meus alunos, até aí, tudo bem, mas ao voltar para Ribeirão Preto.....

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

E a Graça Divina estava comigo...

....Foi então que em 25 de julho de 2006, fui convencida a comprar um teste de farmácia...mas fazê-lo, era outra história.

Me lembro de dois eventos que já tinham me dado uma resposta, mas eu não queria me dar esperança, o medo era maior que eu...depois conto quais foram.

Estava em São Paulo na casa da minha sogra, e elas queriam que eu fizesse o exame, mas eu não tinha coragem, já tinha ido duas vezes ao banheiro saia um rio de xixi, mas deixava o exame lá.
E então resolvi acabar com tudo ou ganhar tudo, vamos apostar todas as fichas, e lá fui eu ao banheiro pela enésima vez.

Não percebi que minha cunhada e sogra foram atrás de mim. Eu tremia igual vara verde, ai eu não sabia se fazia o xixi no teste, ou devia ter pego um copinho, bem, decidi fazer no tal local indicado...
E...Fiz na porcaria da janelinha, e estava escrito, NÃO fazer na janelinha, pois pode comprometer o exame...,Mas eu já havia feito e nem dois segundos e estava lá o risquinho “grávida”.





Foi então que chamei o Claudio, para dizer a ele que o exame estava errado, porque havia molhado a janelinha…Mais uma desculpa para não creditar, OH sentimento de negação, OH medo.
Porém, neste ponto, estava lá na porta do banheiro todo mundo kkkk. E eu com as calças abaixadas.... 

Todos pulando e comemorando a vinda de um bebê.

Liguei ao médico e já agendei todos os exames, para a semana seguinte, pois eu iria voltar a Ribeirão Preto apenas na semana seguinte.

Eita espera ruim, mas uma entre tantas na minha vida.
                                               Em novembro de 2006, a pessoa achava que tinha uma super barriga.

E foram 30 semanas de gestação tranquilas...Minto... 28 semanas tranquilas.... (para aqueles que não entendem das intermináveis semanas – aproximadamente 6 meses e meio).


Como diz minha amiga Paula (gravidinha hoje, com uma história também de luta), “viver em semanas é muito ruim”.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Graça Divina a caminho...

Olá gente,

Pois é fomos ao médico, e eu já não aguentava mais aquela peregrinação sem fim, queria parar e ir logo para fila de adoção.

Falei ao médico que não queria mais, que queria a fertilização e que colocaria logo 4 embriões....

Ele não aceitou...aff... disse que se eu fizesse um embrião que eu estaria grávida, porque meu útero era excelente, meus ovários é que sofriam de crise existencial...pensavam que eram pâncreas kkkk.

Bom, então fui convencida a fazer mais uma indução, e fomos então a indução.

Ah, antes viajamos para Gramado, foi bom, comi todo chocolate que tinha direito e conheci o rodízio de fondues...muito bom.

E tudo outra vez, milhões de injeções, indutores via oral, ultrassons, mais hormônios e desta vez teve um adicional, a tal progesterona, que na época custava um rim.

E lá fomos, em junho tive a menstruação e iniciamos, e finalmente 3 folículos, já estava ficando melhor e trigêmeos ainda era aceitável...kkk. E ai fomos a fase final o hormônio da ovulação e assim foi ovulei de um deles, já era bom, agora era a parte prática e lá fomos nós dia 02 de julho de 2006, as 6 da manhã, domingo, um ultrasson, e realmente eu havia ovulado e poderia ainda ovular de mais dois.

E bem, começamos com a contagem regressiva de 14 dias, aff.

Em 16 de julho, eu deveria menstruar, certo, só que não. Mas havia um outro problema, ou solução neste ciclo, eu estava usando progesterona, e ela poderia estar "travando" a vinda da querida...odiada. E assim, como eu estava viajando, eu não quis estragar minhas férias, então simplesmente fingi de morta e continuei, colocando sagradamente um absorvente todos os dias.

Foi então que em 24 de julho, nada ainda, e meu coração assombrado, pois mais um negativo, seria o fim...e liguei para o médico, e ele me explicou que eu precisaria fazer o exame, e que teria que parar a progesterona, caso desse negativo. E a coragem me faltou, e faltava todo momento....foi então que....

Fonte: http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2015/08/luz-no-fim-do-tunel.html

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Em busca da Graça Divina continuação....

E depois dos 14 dias...veio a menstruação....

Mais um fracasso, mas pelo menos eu havia funcionado, sim funcionado.

Me sentia sempre menos mulher por não funcionar como todas, tendo como padrão, aquelas que têm menstruação, que ovulam. Eu não me sentia normal.

E então fui ao médico para ver o que faríamos dali em diante, e eis que decidimos fazer tudo outra vez, e assim foi, começamos de novo, todo o procedimento. Milhões de Ultrassons, milhões em medicamentos, milhões de idas ao médico, e enfim um folículo, uma esperança, e novamente a Fernanda Aníbal me aplicando a injeção e desta vez já com a Aninha nos braços. Mesmo no pós-parto, estava ela lá para me ajudar.

E a ovulação ocorreu na Páscoa.

E ai foram dias, sim, de novo, 14 dias de angústia, neste momento eu ainda não sabia o que eram verdadeiramente os 14 dias, conheci mesmo alguns anos depois....

E novamente o sangue bendito ou maldito, já não sabia mais, veio...e a dor das cólicas eram as piores possíveis, acho que não eram tão fortes assim, mas para mim, a dor era muito maior do que parecia. E a tristeza me invadiu de novo.

Voltamos ao médico, e esperamos um ciclo, que ciclo, aquele movido a hormônios, porque eu não os produzia. E assim foi a nova espera 30 dias.

Neste meio tempo, não me lembro exatamente quando, o Claudio saiu em um sábado pela manhã, sem dizer onde iria, e voltou com um chocolate e pediu para eu abrir. Ele estava super feliz e eu não....

Ai abri e vi, passagens para Porto Alegre, iriamos comemorar nossos 10 anos juntos em Gramado...

Foi então que virei e disse, pensei que você tinha decidido ir para adoção.

Na minha cabeça, ele tinha trazido um filho para mim.

Notem a situação que uma pessoa nestas condições se encontra.

E eu queria um filho, não importa como ele seria gerado...

Em breve o próximo tratamento.....

domingo, 13 de agosto de 2017

Sentimentos...

Antes de continuar a história, acho importante ressaltar o que se sente ao passar pela infertilidade, independentemente da causa.

Raiva, ódio, alegria, tristeza, esperança, fé, entre outras emoções, sim são sentidas a todo momento.

Lembro me, diversas vezes chorando rios no travesseiro antes de dormir. Ao volante. Olhando crianças brincando na rua, nos parques, na praia.

Sim, raiva muita raiva, daqueles moradores de rua, cheios de filhos, colocando-os para pedir dinheiro no semáforo. Raiva de mulheres que largam seus filhos em lixeiras, ou matam, porque não os querem.

Isto tudo me doía demais.

E ainda aquelas pessoas inconvenientes que perguntam:

- "Não vai ter filhos, não?"

Aff. Vontade de dar uma voadora.

Os sentimentos são muito intensos o tempo todo nesta situação, e sim, é necessário um acompanhamento psicológico.

E quando, alguma amiga ou conhecida, me contava que estava grávida. Eu tentava, mas eu não conseguia disfarçar o ódio, mesmo que eu amasse a pessoa.

É muito confuso. Não me lembro, nem autor e nem as palavras corretas, mas é algo assim:

"Você só sabe o que alguém sente, se passar pela mesma situação que ela, e ainda se tiver tido as mesmas experiências que ela."

Na verdade ser aquela pessoa. Algo não possível.

Entendo que não devia sentir nada disso, mas tudo é necessário para que se possa passar pela situação e aprender com ela.


Em busca da Graça Divina

Olá,

O início do VERDADEIRO tratamento teve início em 2005, com a utilização apenas de indutores via oral, mas desta vez acompanhadas de exames periódicos, laboratoriais e de Ultrassons, as 5 da manhã, isto mesmo, entre 5 e 6 da manhã...Não é fácil optar por ser mãe...

Os indutores orais não deram certo, nem sinal que meus ovários queriam funcionar como tal...e ai estávamos na estaca zero novamente.

Mas o Dr. Manetta então elevou o tratamento para a segunda fase indutores sub-cutâneos, e então fizemos. Primeiro o bolso doeu bastante, todos os medicamentos são importados, mas isto também faz parte do estágio para ser mãe, o bolso dói, mas compensa....

Fomos então ao primeiro round, muitas injeções na barriga, e ai finalmente os ovários acordaram. Era uma esperança surgindo em meio a tantas lágrimas. E íamos manhã sim, manhã não, verificar o tamanho dos folículos (são as estruturas que crescem e depois saem os óvulos).

Um pequeno parenteses de novo, o pai, teve participação ativa, quantos espermogramas, para constatar a fertilidade...e todos maravilhosos, graças a Deus.

Voltando, e finalmente tínhamos dois folículos, e ai vinha a segunda parte da ovulação (fiquei craque em entender todo o procedimento, e também ótima, em ler ultrassons). A madrinha do Ian a Fer (Fernanda Aníbal), grávida de quase 9 meses, vinha aqui para me ajudar na segunda parte, ela me aplicava uma injeção na barriga, para que o folículo rompesse e ai ocorresse a ovulação, e o endométrio crescesse.

E ai tínhamos que praticar a questão física do processo, e com hora marcada, aff.... Imagina que seu GO sabe exatamente o que você está fazendo naquele horário....

E ai depois de outro ultrasson, a espera de 14 dias, a esta espera...esta era a primeira.....

....Aguardem a próxima.

Fonte: http://www.curaeascensao.com.br/exercicios_arquivos/img/image351_03.jpg. Acesso em 13 ago. 2017.

sábado, 12 de agosto de 2017

Inicio da Saga

Continuando....

10 anos depois de minha volta do Canadá, casei, e então começamos uma nova vida juntos (mentira, já morávamos juntos e já havíamos passado muitos "perengues" juntos), mas foi a partir daí que resolvemos pensar em ter filhos, assim que eu terminasse o Mestrado. E em 2003, começamos nossas tentativas para engravidar, afinal sabíamos desde sempre que teríamos problemas.

Fui ao GO que costumava ir e ela me indicou um indutor via oral, para aumentar as chances, no meu caso, para ter chances, pois ela não entendia de SOMP, mas jamais admitiu isso. Voltando um pouco no tempo, antes de casarmos, acredito que em 1999, fui a este profissional, (lembrem-se eu estava obesa, devido a SOMP),  ouvi o seguinte:

- "Não sei como você não tem vergonha de ser tão gorda! Nem sei como você tem namorado..."

Eu devia ter mudado de profissional ali, não...Mas não mudei, e nas tentativas com o tal indutor, eu ouvi de novo:

-"Deve ser psicológico, você não conseguir, devia fazer terapia."

Pois é, eu devia ter mudado de profissional...

Detalhe, eu já estava fazendo terapia...

Fui a outro profissional, e o mesmo tome indutores, porém desta vez, me pareceu que este sabia o que estava falando.

Um parênteses: ao utilizar indutores, é necessário fazer ultrassons, mas até então, eu não havia feito se quer 1.

Este segundo profissional, também não fez exame algum, e muito menos pediu...


Em 2005, já exausta com as tentativas, e profissionais que não admitiam sua limitação em relação ao meu problema, achei O médico. Dr. Manetta, quem o conhece sabe o que estou falando.

Depois de tantos indutores, e sem algum acompanhamento, eu tive sorte de ter meu sistema reprodutivo íntegro e ai sim, comecei o VERDADEIRO tratamento.


Como tudo começou...

Olá,

Sempre quis fazer este blog, para quem sabe ajudar e incentivar pessoas a não perder esperanças em relação à maternidade. Sei que existem histórias bem mais complexas e difíceis, comparadas à minha. Porém, acho válido compartilhar. Só de eu contar algumas vezes em diversos espaços, muitas pessoas recuperam a esperança.
Então, aqui estou eu para contar minha história, ela virá aos poucos para não ficar cansativa e desinteressante.

Senta que lá vem história....

Em 1993/94 morei no Canadá, mas foi mesmo bem antes disso entre 12 e 14 anos, não sei ao certo, não menstruei como todas as meninas da minha idade, nem sombras de menstruação, me sentia o monstro da minha idade, tinha características diferentes das meninas desta idade, não tinha corpo de menina sabe... tive muita tristeza, mas não tinha com quem trocar ideia, minha mãe tinha muitas ideias retrógradas, típicas da época dela, não a culpo, mas era todo o conhecimento que ela tinha. Mesmo atuando na área de saúde.

Desta forma, antes de viajar ao Canadá, por isso mencionei, fui diagnosticada com ovários micropolicísticos, e a médica me disse que eu teria muita dificuldade de engravidar, meu mundo caiu, pois ainda não existia o diagnóstico correto da Síndrome dos ovários micropolicísticos (SOMP) e comecei com um AC (anti-concepcional) muito conhecido, o D...35. E comecei a menstruar, estava muito feliz, mas não tinha noção do que era um AC e nem que era portadora de SOMP.

Quando viajei não pude comprar 12 caixas para levar, assim levei apenas 2 caixas, para tomar no primeiro mês e depois no último mês antes de voltar de viagem. E durante minha estádia no Canadá, ganhei aproximadamente 60 kg...

Esta sou eu com 110 kg.

Este ganho de peso era consequência da SOMP, mas eu não sabia.

Após voltar do Canadá, não fui tratada adequadamente e fiquei acima do peso até 2001.

No próximo post continuo....

E 15 de agosto de 2016

.....Bem, agosto de 2016. Em 14 de agosto eu havia tido aquele momento dejà vu, com o post do dias dos pais, né.... Mas, voltando mais u...